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Aposentados 7/7/2020 11:21:53 » Por Livia Rospantini

Dilemas do Brasil na pandemia: desemprego elevado, rombo fiscal recorde e péssima imagem no exterior


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Maurício Oliveira – Assessor econômico

 

O descontrole da pandemia no Brasil continua a passos largos. A falta de uma coordenação nacional impediu o estabelecimento de uma quarentena que evitasse o crescimento contínuo de infectados e de mortes. O resultado é um desastre sanitário e um aumento vertiginoso da desigualdade social.

Apesar da aceleração da pandemia e da imprevisão do pico da doença, iniciou-se no Brasil um processo de circulação de pessoas, aglomerações e reabertura do comércio e de outras atividades econômicas. As conseqüências disso ainda não estão mensuradas. O monitoramento diário da flexibilização e da retomada dos negócios serão necessários para as avaliações futuras.

Um indicador econômico importante que apura a crise econômica é o desemprego. Nas últimas semanas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 2 milhões de trabalhadores ficaram sem emprego e já chegamos a um total de 12 milhões. A tendência é piorar, uma vez que a maioria das empresas se encontra em situação de endividamento e de paralisia da produção. E mais, metade da população em condições de trabalhar encontra-se desocupada. Contratos de trabalho foram suspensos, salários foram reduzidos e a jornada de trabalho também reduzida.

Devido à pandemia foram necessárias diversas medidas emergenciais que aumentaram em muito as despesas do governo. A conseqüência é que a estimativa do rombo fiscal (déficit) para 2020 é superior a R$ 830 bilhões, um recorde. Não há como fugir disso. A questão é saber quem pagará essa conta. União, Estados e municípios estão com forte redução na arrecadação tributária e se encontram com pouca capacidade de honrar compromissos financeiros e sociais, e também com pouca margem para mais endividamento. O debate da reforma tributária continua atual e ganhando força no Congresso Nacional, mas não há espaço para aumento de impostos porque a população se encontra com redução de renda e baixo consumo.

Aliado ao desemprego e ao rombo fiscal, se construiu no exterior uma péssima imagem do Brasil, resultante do negacionismo e da má administração da pandemia, da crise ambiental interna e de uma diplomacia calcada por favorecer unicamente aos interesses dos EUA. A China, nosso principal parceiro comercial, vem restringindo suas compras do Brasil, enquanto a União Européia fechou as fronteiras para o Brasil e está quase cancelando a parceria comercial com o Mercosul, onde o Brasil é o principal país membro. Essa péssima imagem dificultará enormemente a captação de investimentos internacionais para o Brasil, e também criará sérios entraves para a obtenção de empréstimos junto às instituições financeiras mundiais, como por exemplo, o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Para continuar minimizando os efeitos da pandemia, houve o prolongamento do auxílio emergencial de R$ 600 por mais dois meses para dezenas de milhões de trabalhadores informais. Essa é uma medida acertada, porém insuficiente. Os trabalhadores sem renda fixa demorarão a voltar para a mesma condição financeira de antes da pandemia. Uma grande quantidade não conseguirá e isso aumentará o exército de desempregados do país.

Outro problema grave é a dificuldade de obtenção de crédito para as micro, pequenas e médias empresas que se encontram no limite de sua capacidade de resistência. Sem crédito para capital de giro e para pagamento de pessoal, elas estão seriamente ameaçadas de fecharem as portas e, com isso, mais desemprego à vista. São elas que mais empregam no Brasil.

Com relação aos aposentados e pensionistas do Brasil, sua situação é de muitos cuidados, cuidados com a saúde e com o aumento da violência. Muitas despesas aumentaram com a pandemia para esse segmento, principalmente médicas. Para tentar aliviar esse segmento, duas propostas estão tramitando no Congresso Nacional: o 14º salário e a suspensão das parcelas do crédito consignado por 4 meses. Há boas perspectivas nesse sentido.

O resultado da reabertura econômica é uma incógnita. Sabe-se apenas que o índice de contágio do coronavirus tem crescido na flexibilização do isolamento social. A taxa de risco, que mede o grau de confiança e de vulnerabilidade do país, está piorando muito. Isso retarda ainda mais a recuperação econômica do Brasil. Só haverá recuperação com democracia, diálogo e inclusão social. Quem deve pagar a conta da crise são os mais privilegiados.
 




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